Índia - Da capital imperial às ruínas do sul | com extensão opcional a Varanasi
A Índia é um universo em si mesma, um país de dimensões continentais onde religiões milenares, impérios grandiosos e uma modernidade vibrante coexistem em contraste permanente. Viajar por seu território significa atravessar séculos de história inscritos na arquitetura e nos rituais cotidianos.
Ao norte, em Delhi, sucedem-se dinastias e tradições religiosas, visíveis em fortalezas, mesquitas e amplas avenidas que refletem diferentes períodos de poder. Em Agra, o Taj Mahal expressa a espiritualidade islâmica associada à memória, à morte e à ideia de eternidade. Pelo Rajastão, cidades históricas reúnem palácios, fortalezas e estruturas ligadas a práticas religiosas e à organização social tradicional. O percurso em direção ao planalto do Deccan altera a paisagem e evidencia a convivência entre diferentes correntes do islamismo e do hinduísmo. No sul, ruínas espalhadas entre colinas de pedra correspondem a antigos centros de poder que tinham nos templos o eixo da vida política, econômica e espiritual. Esses complexos não são apenas construções monumentais em ruínas, mas espaços de peregrinação e devoção que continuam vivos nos nossos dias. Em Hampi, templos dedicados a divindades hindus permanecem ativos, reforçando o vínculo entre passado e fé presente.
Do norte ao sul, o percurso revela um país em que a religião não aparece como elemento secundário, mas como fundamento que orienta a paisagem, a memória histórica e a organização das cidades. Essa centralidade do sagrado na vida pública e na estrutura urbana contrasta com grande parte do Ocidente contemporâneo, onde a religião foi deslocada para a esfera privada. Na Índia, ao contrário, o religioso continua visível, integrado ao espaço social e reconhecido como princípio organizador da experiência coletiva.
Quem acompanha
Saulo Goulart | História
Saulo Goulart é doutor em História Cultural pela Unicamp. Desenvolveu pesquisa junto às principais instituições de fomento científico do país tais como Fapesp, CNPq e Capes. Trabalhou em âmbito internacional vinculado ao El Colegio de México (COLMEX) como pesquisador visitante. Dedica-se à divulgação científica, ministrando cursos no amplo aspecto da disciplina histórica, com especial interesse […]
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