Arábia Saudita: O destino do momento História, tradição e modernidade prontas para serem conhecidas
Pode ser que a primeira pergunta que surja na mente de um viajante ao pensar na Arábia Saudita seja: por que viajar para lá? Afinal, estamos falando de um país que, até pouco tempo atrás, permanecia fechado ao mundo. E é justamente aí que está o ponto: a história de antigas civilizações, uma herança islâmica vívida e patrimônios históricos que agora se abrem para serem descobertos e de perto.
Desde 2016 aproximadamente, o país tem passado por uma transformação notável no setor do turismo, motivada pelo anseio de que este, juntamente com outros segmentos, impulsione o crescimento econômico. Cada vez mais há investimentos dedicados em infraestrutura, cidades e pontos turísticos. Até 2030, a Arábia Saudita tem como foco adicionar 362 mil novos quartos de hotel, majoritariamente em grandes redes hoteleiras que se encontram em expansão.
Outro fator que favorece essa melhoria são os megaeventos que o país sediará: Copa da Ásia 2027, Expo 2030 e Copa do Mundo da FIFA de 2034, que, por conseguinte, têm como objetivo atrair mais visitantes internacionais.
No entanto, o aumento de viajantes já é algo muito bem sentido por lá. Nos mais recentes dados divulgados pelo Ministério do Turismo saudita, o país recebeu 122 milhões de visitantes em 2025, representando um aumento de 5% em comparação ao ano anterior. Um crescimento que apenas confirma que esse destino está no radar de muitos viajantes.
“Se olhar para 10 anos atrás, mal ouvíamos falar da Arábia Saudita como destino para turismo de lazer. A estrutura hoteleira atendia as demandas voltadas para o turismo corporativo e negócios em função do petróleo e gás, bem como turismo religioso de massa em função de Medina e Meca, cidades sagradas para os muçulmanos. (…) O setor do turismo receberá ao todo USD 800 bilhões em investimentos até 2030 em diversas iniciativas. As principais redes hoteleiras globais estão com projetos em andamento, grandes nomes do setor foram contratados pelo governo saudita para executar ou colaborar as ações, profissionais de diversas partes do planeta estão no dia a dia da operação e houve investimento em benchmarking para ver o que de melhor estava sendo feito no mundo.”
— Guilherme Lapa, COO da Latitudes
Além disso, a Arábia Saudita é considerada um destino seguro para viajantes, apresentando índices de criminalidade urbana notavelmente baixos, com base nos dados de índices globais, como Numbeo e relatórios do G20. Assim, o país se posiciona como um local favorável para visitação. Contudo, é fundamental ressaltar que o destino requer sensibilidade cultural, sendo pautado por fortes valores religiosos e tradições seculares. Embora as regras tenham se flexibilizado nos últimos anos, ainda existem diretrizes de vestimenta e comportamento, que se aplicam tanto para homens quanto para mulheres, especialmente em locais públicos e religiosos.
Nesse contexto, contar com orientação adequada antes e durante a viagem é essencial para garantir uma jornada respeitosa e, ao mesmo tempo, marcante por esse extenso país do Oriente Médio.
Que tal começarmos pelos principais Patrimônios da Unesco?
É neles que se manifesta não apenas muita beleza, mas principalmente evidências fundamentais da ocupação humana antiga e das civilizações que moldaram a região onde hoje está a Arábia Saudita, além de serem excelentes opções de visita durante uma viagem ao país.
“Caminhar por sítios arqueológicos e cidades antigas nos oferece uma experiência singular de imaginar in loco como era a vida de seus habitantes. (…) O território onde hoje existe a Arábia Saudita é habitado desde 5400 AEC, quando povos neolíticos habitavam onde hoje é a fronteira do país com o Iraque. Desde então, uma série de civilizações e reinos ocuparam o território e deixaram um rico patrimônio arqueológico, quase todos com proteção da Unesco ou em processo.”
— Guilherme Lapa, COO da Latitudes
Uma poderosa janela desse passado é o sítio arqueológico de Hegra (ou al-Ḥijr, ou Madâin Sâlih), localizado na região de Al-Ula. O local abriga 111 túmulos monumentais esculpidos na rocha, sendo considerado o maior atestado da presença da civilização nabateia e o sítio nabateu mais bem preservado ao sul de Petra, na Jordânia. Suas fachadas decoradas datam do século I a.C. ao século I d.C.

Túmulos antigos de Hegra.
Mas a importância histórica desse Patrimônio se estende ainda mais. Sua localização estratégica permitiu a encruzilhada de importantes rotas comerciais que ligavam o sul da Península Arábica ao Mediterrâneo e ao Oriente, transformando-a em um ponto de contato entre diferentes povos e culturas da Antiguidade, perceptível na arquitetura, na decoração, no uso da língua e no comércio de caravanas.
Nesta mesma região de Al-Ula, localiza-se o sítio arqueológico de Dadan, capital dos antigos reinos de Dadan e Lihyan. Esse local, esculpido em penhasco de rocha vermelha, resgata a memória de uma antiga civilização que ali floresceu há 2.600 anos. Sua localização foi estratégica para a Rota do Incenso, permitindo não apenas a conexão do sul da Arábia ao Egito, Síria e Mesopotâmia, como também a prosperidade econômica.

Tumbas esculpidas na rocha em Dadan.
Ali próximo, encontra-se o Jabal Ikmah, também conhecido como a biblioteca aberta de AlUla. O local preserva escritas de Dadaníticos e Lihianitas, uma riqueza cultural viva de civilizações que habitaram essa região durante o primeiro milênio a.C.

Palavras antigas esculpidas em rochas de arenito, no desfiladeiro de Jabal Ikmah.
O distrito de At-Turaif, localizado em Diriyah, também se destaca como um marco histórico da Arábia Saudita. O patrimônio é um símbolo do Primeiro Estado Saudita, fundado no século XVIII, e é reconhecido como uma das maiores cidades históricas construídas em adobe (tijolos de barro) do mundo. Suas construções exibem o estilo arquitetônico Najdi, característico do centro da Península Arábica.

Ruínas de Al Diriyah.
Já a região Hail vem como um lugar precioso para compreender as ocupações humanas mais antigas conhecidas no território da atual Arábia Saudita. Sítios arqueológicos como Jubbah e al-Shuwaymis abrigam arte rupestre pré-histórica que permite vislumbrar a vida humana na região há milhares de anos, com cenas de caça e representações da fauna então existente.
Há também lugares que não se contentam em apenas destacar seu valor histórico, como o Patrimônio Al-Ahsa, inscrito pela Unesco como uma “paisagem cultural em evolução”. Esse oásis, o maior do mundo em número de palmeiras, irrigado por canais, nascentes e poços, é um exemplo excepcional da interação entre seres humanos e ambiente ao longo dos milênios, com vestígios de ocupação humana desde o período Neolítico e um legado arqueológico e cultural rico e contínuo.
Por fim, a Área Cultural de Ḥimā, situada em uma das mais estratégicas rotas de caravanas da Península Arábica. O local abriga um verdadeiro ‘museu a céu aberto’, com rochas repletas de figuras humanas, animais e inscrições em diversos alfabetos antigos. São registros que remontam a até 7 mil anos, deixados por viajantes e exércitos que cruzaram o deserto ao longo dos milênios.
Da narrativa histórica à essência da fé religiosa e à modernidade
Além dos patrimônios da Unesco, a Arábia Saudita conta com cidades que revelam sua história, religião, dinamismo e modernidade de diferentes formas. Riad, por exemplo, a capital do país, permite ao visitante vislumbrar o contraste entre passado, presente em seus souks, mesquitas e arquitetura histórica, e futuro, representado por arranha-céus, uma cena artística vibrante e uma infraestrutura em rápida expansão, impulsionada pela riqueza gerada por suas reservas de petróleo e por políticas de diversificação econômica, que incluem o turismo.

Riad, a capital saudita.
A cidade também abriga o relevante Museu Nacional, um espaço que oferece uma experiência de viagem no tempo ao retratar a trajetória histórica do país: desde os tempos pré-históricos até a era moderna. O ambiente conta com exposições e elementos interativos, a fim de oferecer uma compreensão mais aprofundada sobre a evolução cultural do reino.
Há também Damman, a principal cidade financeira da Província Oriental do país, com praia, brisa e um horizonte dourado pronto para ser apreciado por quem a visita. Ainda que se faça conhecida por ser o local onde o petróleo foi descoberto pela primeira vez no país, a cidade possui uma localização privilegiada às margens do Golfo Pérsico, tornando-se um ótimo destino para quem busca momentos de tranquilidade, com uma arquitetura impressionante e um parque com extensas áreas verdes, jardins e cafés
Jeddah já se apresenta como uma cidade portuária, centro econômico e cosmopolita. Às margens do Mar Vermelho, destaca-se por paisagens de grande beleza, que se harmonizam com a arquitetura de antigas construções históricas e souks tradicionais, onde se vende de tudo. Uma visita imperdível é o centro histórico Al-Balad, que significa “A Cidade” em árabe. Sua inscrição como Patrimônio da Unesco atesta o valor inestimável ali presente: uma arquitetura tradicional em pedra de coral, desenvolvida ao longo de séculos, além de mercados históricos que testemunham a importância cultural e comercial da cidade.

Bairro de Al-Balad, em Jeddah.
A próxima cidade é Medina, considerada a segunda mais sagrada do Islã, por ter acolhido, segundo a tradição islâmica, o Profeta Maomé, figura central e fundador da religião. A cidade abriga ainda a Mesquita do Profeta, vista como o símbolo da cidade, com numerosos fiéis sempre em oração, e o Museu da Mesquita do Profeta Maomé, que celebra a vida e os ensinamentos de Maomé, exibindo artefatos, manuscritos e diversos aspectos de sua vida, como nascimento, infância, profecia e legado.

A Mesquita do Profeta, em Medina.
E então a cidade velha Al-Ula, que permanece como testemunha da história. Seja nas ruas, nos edifícios, nos labirintos de ruelas ou nas pedras, encontram-se rastros do passado desse lugar, cujas raízes remontam a civilizações milenares que moldaram o destino da Península Arábica. A cidade esteve no cruzamento de rotas comerciais e de peregrinação, o que lhe proporcionou um crescimento considerável, resultando em um centro comercial que continuou a prosperar por um longo período. Hoje, a cidade velha de Al-Ula é reconhecida como um patrimônio cultural e arqueológico essencial para a história do país e vem sendo revitalizada como um importante polo cultural.

A cidade velha de Al-Ula.
O momento de viajar a Arábia Saudita é agora
E isso é particularmente recomendado para os viajantes experientes que não só se interessam por patrimônios culturais e históricos significativos que estão muito bem preservados, mas principalmente para aqueles que apreciam observar um país em constante mudança. Sendo assim, considerar uma viagem neste momento é se colocar numa posição de privilégio, por ter a oportunidade de testemunhar esse cenário em tempo real e garantir essa preciosa chance, visto que tal atmosfera pode se transformar em alguns anos.
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